As muitas línguas faladas no Brasil

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Responda rápido: que línguas são faladas no Brasil? Português e... o que mais? Sabia que o Brasil fala muitas línguas?

Este é um erro comum e acontece até conosco, brasileiros. Quando pensamos que língua se fala no Brasil, a primeira resposta vem de imediato: o português. De fato, o idioma oficial é o português e ele é falado pela imensa maioria da população (98%, segundo o IBGE), seja como primeira ou segunda língua. No entanto, a realidade é muito mais rica e complexa que isso: considerando as línguas das populações originárias e as das comunidades de imigrantes (alemães, japoneses, entre outros), além dos diversos dialetos regionais, a diversidade linguística (e cultural) é muito mais ampla e merece ser reconhecida e valorizada. 

Língua ou dialeto?

Primeiro de tudo, vamos esclarecer a diferença entre o que é uma língua e um dialeto, pois muita gente usa estes termos como se fossem sinônimos mas, na verdade, eles têm significados diferentes.

Língua é um sistema completo de comunicação verbal (e muitas vezes escrita) usado por uma comunidade, com regras próprias de gramática, vocabulário e pronúncia. Dialeto, por outro lado, é uma variante regional ou social de uma língua. Um dialeto compartilha a base da língua principal (gramática e estrutura), mas tem diferenças em aspectos como pronúncia, vocabulário e expressões. Normalmente, os falantes de dialetos diferentes ainda conseguem se entender por pertencerem à mesma língua.

Note que a diferença entre língua e dialeto não é apenas linguística, mas também histórica, regional, social e política. Vamos ver como é a diferença na prática, tomando o nosso Brasil como exemplo:

O português é a língua oficial do Brasil.

Já como dialetos, temos o sulista, nortista, nordestino, paulistano, baiano, sertanejo, fluminense, entre outros, que são falados em diferentes regiões do Brasil, cada um com seu jeito próprio de construir frases (e de usar a gramática, como um todo), escolher pronomes de tratamento (e sua concordância), pronunciar certas palavras, usar entonações e expressões locais, entre outros.

Em outras palavras: no Brasil, quem fala dialetos diferentes ainda se entende, mesmo que estranhe uma palavra aqui, outra ali, ou note diferenças no modo de falar. Essas variações surgiram devido a 4 fatores:

    • A vasta extensão territorial

    • A diversidade étnica e cultural

    • A imigração intensa de povos europeus, africanos e asiáticos

    • O isolamento geográfico de certas comunidades

Sim, o português é o idioma oficial e majoritário, mas não podemos esquecer que o Brasil é, linguisticamente, um dos países mais diversos do mundo. Não apenas pela existência de centenas de línguas indígenas e de imigração, mas também por termos, dentro do próprio português, uma enorme variedade de dialetos.

Os idiomas falados no Brasil

De acordo com o censo do IBGE de 2010, o Brasil abriga cerca de 274 línguas, aqui contadas as línguas indígenas, afro-brasileiras e de imigração. Nota do estudo: o número pode variar levemente dependendo do critério usado (se contar dialetos como línguas independentes, ou se focar apenas em línguas reconhecidas oficialmente).

As línguas indígenas, em especial, representam um patrimônio riquíssimo. Estima-se que cerca de 160 línguas indígenas ainda sejam faladas atualmente, sobretudo na região Norte — nos estados do Amazonas, Roraima, Acre e Pará. Povos como os Tikuna, Yanomami, Guarani e Terena mantêm viva essa herança milenar, transmitindo conhecimentos e tradições que datam de antes da chegada dos europeus.

Além disso, há comunidades de imigrantes espalhadas pelo país cujo primeiro idioma não é o português, mas, sim, os dialetos de imigração. Este é o caso do talian (uma variante do italiano vêneto) em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o hunsrückisch (um alemão do século XIX) no interior do Sul, e ainda vestígios do japonês, chinês e coreano em colônias espalhadas pelo estado de São Paulo.

Pelas mesmas razões com que defendemos o ensino do português como língua de herança para brasileiros crescendo longe do Brasil, estas comunidades preservam sua cultura e seu idioma também como patrimônio, como herança, carregando, em si, um pedaço de sua história, de sua terra e de memória de seus antepassados.

Linguas indigenas

Foto de Junior Reis, Unsplash

 

As muitas línguas que formaram – e ainda formam – o português do Brasil

O português brasileiro, ainda que venha da matriz lusitana, não é uma cópia do português de Portugal. Desde sua chegada em 1500, o idioma europeu passou a misturar-se com as línguas dos povos indígenas, africanos e mais tarde com as de imigrantes europeus e asiáticos. Isto sem contar a evolução dela própria, a língua portuguesa, com as variações que sofreu ao longo do tempo, sob efeito do “calor dos trópicos”, quer dizer, das conjunturas sociais, regionais e políticas do Brasil. Vamos abordar estas diferenças em uma outra postagem; aqui, vamos ver, sucintamente, como o português no Brasil virou uma estória de amor, um grande encontro de gentes de todo o mundo.

Dos idiomas indígenas

De todos os idiomas dos povos originários, o tupi-guarani foi o que mais influenciou o português. Por séculos, a colônia brasileira usou a chamada “Língua Geral” – um prato cheio para linguistas de todos os tempos -, uma língua franca, popular especialmente na metade norte do país, formada da união do português com tupi-guarani.

Daí, herdamos palavras que nomeiam o nosso próprio território e identidade: “Ipanema”, “Paraná”, “Pindorama” (nome indígena para o Brasil). No vocabulário do dia a dia, “pipoca”, “abacaxi”, “mingau” e “carioca” são apenas alguns exemplos da força da língua tupi no nosso português.

 

Dos idiomas africanos

Da África, sobretudo através dos povos bantos e iorubás, vieram palavras como “caçula”, “moleque”, “quitanda”, “cafuné” e expressões culturais que se refletem na música, na culinária, na religiosidade, e nas festas populares.

 

Dos idiomas europeus

Já com a imigração europeia, sobretudo italiana e alemã, incorporamos outras marcas: o uso de diminutivos no Sul, o ritmo cantado de certas regiões, o léxico que mistura “piso” e “calçada”, “barraco” e “carrinho”, entre outros traços linguísticos.

 

Dos idiomas asiáticos

Os japoneses trouxeram em suas malas expressões e palavras relacionadas à culinária e agricultura, como “moti”, “sushi”, “shoyu”, especialmente fortes no sul e sudeste do país. Da mesma forma, aprendemos com os chineses o uso da “acupuntura”, o “chá”, “ginseng”, “yakisoba” e outros.

Dos idiomas árabes

Um dos maiores grupos de imigrantes, os sírio-libaneses, introduziram termos gastronômicos (“quibe”, “esfiha”) e comerciais (“souk” e “mascate”); isto, fora as inúmeras palavras e expressões de origem árabe presentes na língua portuguesa desde o domínio mouro na Península Ibérica, como “arroz”, “açúcar”, “azeite”, entre outras.

Geleia geral

Analisando tudo isso, não surpreende saber que o português do Brasil conta com quase o dobro de vocábulos em comparação com o português de Portugal. Segundo os organizadores dos dicionários Aurélio e Houaiss, o português brasileiro conta com mais de 228 mil verbetes, muitos deles específicos do Brasil. Enquanto isso, o Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa (Portugal) registra cerca de 110 mil a 120 mil verbetes. 

Sim, o português brasileiro se tornou uma língua mestiça, aberta, flexível e criativa, cheia de expressões novas, regionalismos e formas carinhosas de se comunicar. Uma beleza!

Dica de turismo imperdível: Museu da Língua Portuguesa de São Paulo – vejam o vídeo. Lugar incrível, a visita é fundamental para acender, reacender e inflamar a paixão pela nossa bela língua, algo que, às vezes, na bagunça do dia a dia, fica no canto. Visitem e apreciem sem moderação!

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